Pra quem gosta e pratica, escrever é praticamente um vício, algo que precisa ser feito todo dia. Quando esse que tem o hábito o deixa de praticar, o sentimento que fica é de que faltou algo. Mas pelo menos é um vício bom, que só traz frutos positivos para a vida de quem escreve e, muitas vezes, para a vida de outros. Então se você não tem esse hábito, ou se está tentando mantê-lo, deixo aqui 7 vantagens de escrever com frequência –diariamente é ainda melhor– que podem lhe ajudar a querer começar ou a pelo menos continuar mantendo esse hábito. Como sempre, essa lista é mera opinião minha e talvez muitos a considerem óbvia demais. Mas, acredite, quando você tem esse hábito na sua vida, de escrever de verdade –em vez de apenas opinar na internet–, você sente de maneira bem clara essas vantagens, que são grandes benefícios:

 

Liberdade

Acho que a primeira coisa que fica clara para quem começa a escrever é a sensação de liberdade. É só você e o papel, ou tela em branco, e mais nada. É a sua mente em ação, colocando para fora o que quiser, qualquer pensamento. Até o momento em que esse texto for lido por alguém, ninguém o irá julgar, a não ser você mesmo. Inclusive recomendo que, quando começar a praticar a escrita, não julgue, pois esse ato de se autocriticar irá cortar essa sensação inicial de liberdade. Apenas deixe correr o fluxo de ideias, por pior que fique, que o aprendizado e o aperfeiçoamento virão com o tempo. Você verá como a liberdade –me perdoe a redundância– é libertadora. Essa sensação é a primeira etapa para manter a sua empolgação. Mesmo depois de experiente, esse sentimento irá bater em seu coração sempre que quiser escrever, inclusive quando não tiver muita ideia do quê.

 

O surgimento de ideias

Quando colocamos as ideias no papel, colocamos os pensamentos em ação. Aprendemos, ou começar a aprender, o que significa registrar pensamentos e desenvolver raciocínios, sejam eles seus ou de personagens. Permitimos o fluxo de ideias não apenas vir, mas começar a ter coerência, consistência. Entendemos que escrever significa construir algo. E isso vem naturalmente, como consequência da prática constante e do exercício da releitura e autocrítica construtiva. Logo as ideias vêm não apenas no seu momento de escrita, mas fora, quando você estiver caminhando, dirigindo, lendo algo, tomando banho, e assim em diante. A escrita deixa de estar com você apenas na hora em que você se dedica a ela, e começa a lhe acompanhar por todos os lugares. Por isso é bom ter consigo pelo menos um caderno para anotar as ideias. Novamente lembrando, evite ficar julgando as suas ideias. Deixe para julgá-las depois, nas releituras, após tê-las posto no papel.

 

Fome de leitura

Escrever traz para a sua vida cada vez mais textos, e não apenas textos seus. Pelo menos para quem tem interesse em melhorar a exposição de suas ideias e adquirir mais inspirações para escrever, ler diversos livros e textos de outros autores vem como consequência natural –isso quando não era um hábito que você já tinha de antes. Corra atrás, diversifique suas fontes e leia até o que você não gosta. Isso sempre praticando um senso de análise crítica para entender os seus gostos, as diferenças de estilos de um autor para outro, de diferentes gêneros, e como os outros escritores desenvolvem as suas ideias quando eles as colocam no papel. Enfim, aproveite essa fome natural que o hábito da escrita traz e aperfeiçoe-se. E lembre-se de jamais se apegar a um autor e estilo específico que você goste, pois isso não contribuirá tanto para enriquecer o seu estilo.

 

Aprender a se expressar melhor

Por “se expressar”, entenda raciocinar e desenvolver raciocínios. Novamente, isso vale tanto para as ideias que você escreve como suas ou como de personagens de histórias. É consequência da prática frequente da escrita, já com bastante análise, releituras e experiência, associadas a leituras de diversos livros e textos de diferentes autores. Essa é uma vantagem que se reflete mais claramente na sua vida fora dos textos. Quando for conversar com as pessoas, você sentirá que a sua capacidade de se expressar, de expôr raciocínios, funcionará melhor. Não que escrever o vá tornar um grande debatedor ou um mestre da lábia! De modo algum. Porém, o ato de expressar-se com palavras, que fica tão bem no papel, também sofrerá uma melhora fora do papel. Isso, é claro, apenas se você quiser. Como disse, isso tudo são as minhas opiniões como autor. Alguém que seja excessivamente tímido provavelmente não sentirá esse benefício por se privar de interagir com os outros, já que a comunicação interpessoal envolve mais que apenas dizer palavras. Mas, se a pessoa tivesse a coragem e o interesse de se comunicar com as pessoas, sentiria o benefício trazido pela escrita.

 

Desapego

Um grande aprendizado que a escrita traz é o desapego. Em que sentido? No de que nada que você escrever é definitivo, que todas suas ideias podem ser aperfeiçoadas, que tudo pode ser reescrito e melhorado. Com a abundância dos textos, contos, livros ou o que mais você quiser escrever, surgirão muitas produções que não irão lhe agradar. Você pode até tentar reescrevê-las, mas muitas vezes jogar a ideia fora e recomeçar do zero pode ser a melhor alternativa. E mesmo que você queira reaproveitar a ideia, uma coisa é inevitável: você precisará escrever mais. Então pra quê se apegar ao que já foi feito se você pode fazer mais e melhor? Mesmo se tudo o que você tiver escrito tenha de ir para o lixo de tão ruim –na sua opinião–, você não precisará se apegar a essa produção, pois há muitas outras coisas que podem sair de suas mãos. Assim, o desapego não apenas é algo essencial, como acaba surgindo naturalmente.

 

Sensação de riqueza

Escrever é registrar e construir. Você coloca no papel suas ideias e, com elas, constrói não apenas textos e livros, mas um legado. Talvez seja algo que você vá deixar mesmo como um legado póstumo para as futuras gerações lerem, porém no geral será mais um legado no sentido de “bagagem”. Com o tempo você acumula o seu trabalho, às vezes até sem perceber, e quando nota, já possui diversos textos escritos, livros e etc, independentemente de haver leitores para isso tudo. Essa produção traz uma sensação de riqueza, no sentido de abundância, de riqueza de produtividade, de ideias. Quando pensar em um assunto qualquer, se lembrará que já escreveu sobre isso. E toda essa bagagem também o trará a sensação de riqueza material, de $$$. Se a escrita ainda não for o seu ganha-pão, após ter muito trabalho acumulado, publicado ou não, você entende que há um enorme fluxo de abundância de ideias, textos e histórias que você consegue acessar em sua mente e desenvolver, e que essa infinitude pode até se refletir em ganhos materiais –se você quiser seguir esse caminho, é claro. Se você já escreve há algum tempo e ainda não sente isso, recomendo que olhe para trás, veja tudo o que você fez e contemple a riqueza que saiu através das suas mãos, bem como tudo mais o que você ainda pode fazer.

 

Evolução pessoal

Essa última vantagem está atrelada à de cima, só que é um pouco mais ampla. Apenas note todas as vantagens que eu listei, como elas são ascendentes, uma puxando a outra. No final, o maior aprendizado não é o da “sensação de riqueza”, e sim o de que a escrita é um caminho de evolução pessoal. É um hábito que tende a trazer outros bons hábitos, como o de ler mais, por exemplo, e estimula o seu aperfeiçoamento como ser humano. Ao longo dessa jornada, mantendo o hábito da escrita, você sente o seu aperfeiçoamento na capacidade de pensar, de se expor, de criticar e de criar. Assim como um atleta sente a superação diária em seu treinamento, expandindo a sua capacidade de concentração e superação pessoal, e consequentemente levando isso para todos os aspectos de sua vida, também o escritor irá expandir as suas habilidades e evoluirá.

 

E aí, o que achou? Talvez essas vantagens que citei possam parecer genéricas para quem está querendo dicas específicas de como praticar a escrita como hábito, e eu entendo se você pensou assim. Mas a questão é que cada um tem o seu próprio caminho, e o seu próprio jeito de evoluir. O que listei, em minha humilde opinião, irá permear a sua jornada no mundo da escrita independentemente de qual estilo você queira ter, ou para qual público irá escrever. Parte da graça nessa jornada está em desbravá-la por conta própria, sem se apegar a caminhos específicos.

Ah, e aproveitando que você ainda está aí, é bom lembrar que pouco adianta tentar escrever todo dia sem querer experimentar, sem (ao menos tentar) variar nos estilos, sem buscar novas inspirações, sem ler de tudo, sem se desapegar às próprias ideias e criações, e sem manter a mente aberta. Mas isso é assunto para outro texto.

E agora? Vai tentar manter o hábito da escrita, ou continuar tentando mantê-lo?

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