Se você perguntar por aí o que as pessoas querem fazer na vida, todo mundo vai dizer que é super ambicioso. Querem ser o “novo Steve Jobs”. Querem se tornar CEO antes dos 30 anos. Querem salvar o mundo. Afinal, querer coisas tranquilas como “um emprego bacana”, “saúde”, “viajar de vez em quando” ou só “curtir a vida” é ideia de fracassado, de gente que pensa pequeno. As mentes iluminadas e cheias de ambição almejam muito mais que isso. E elas sabem que podem tudo e muito mais, sendo capazes de salvar o mundo a tempo de chegar em casa para ver o jogo de futebol.

Sarcasmos à parte, esse pensamento hiper-ambicioso característico da geração Y (criada a leite com pêra, ovomaltino na geladeira e constantes elogios) é, no mínimo, ingênuo, além de arrogante. Como esse fantástico artigo explica, a turminha dessa geração – a minha geração, por sinal – acaba “quebrando a cara” na vida quando tem de enfrentar o mundo e descobre que a realidade nunca alcança as suas expectativas.

“Como assim eu não fui promovido ainda se eu claramente sou mais especial que todo mundo aqui?” Pois é, campeão, você é tão especial quanto qualquer zé ruela.

“Como assim eu não fui promovido ainda se eu claramente sou mais especial que todo mundo aqui?”

Essas expectativas infladas, alimentadas por um bombardeio de frases de incentivo (ingênuas) desde a infância da pessoa, só vão se tornar uma bolha de decepção no futuro, quando a pessoa perceber que é muito mais difícil alcançar os seus “sonhos” do que o esperado. E isso é muito bom.

Digo, é claro que se decepcionar é algo horrível, mas, para quem sabe aproveitar oportunidades, isso se torna uma chance de rever uma coisa importante, que é justamente o básico: o que você realmente quer fazer na vida?

Pouca gente sabe o que quer, de verdade. Pelo que vejo por aí, há uma forte ilusão de que fama e status é tudo, e as pessoas acabam abraçando a busca por essas coisas como se fosse a ambição essencial do universo. Afinal, se você não pensa grande, você é um bobão ridículo com cara de melão.

O que falta nessa mentalidade é uma noção de que tudo tem um preço. E isso vai desde ter de trabalhar horas extras para descolar aquela promoção na firma, até abdicar de saúde e juventude para alcançar objetivos maiores. Aí você se sacrifica um monte achando que quer X e, no final, percebe que X não traz tanta felicidade assim. Tudo porque, se você disser que tem ambições “pequenas”, será visto (e se sentirá) como um idiota.

Tsc tsc.

Antes de sair por aí se aventurando no mundo, se jogando de cabeça em ambições que foram colocadas na sua mente por um raso discurso social sobre o que é “sucesso”, pare e reflita. O que você realmente quer? E, principalmente, o que está disposto a sacrificar para isso? Quer ficar rico? Então quantas horas de lazer você quer usar para estudar investimentos? Quer ser um empresário de sucesso? Então quanto da sua vida pessoal você está disposto a investir nisso?

O peso desses preços é sempre maior na prática do que no reino da imaginação, por isso, amigo da geração Y, se você se acha bom demais e capaz de abraçar o mundo, vá em frente. Se der certo, maravilha! Caso contrário, eu sugiro que você pare e reflita sobre o que é “pouca ambição” para você. Lazer, tempo livre, saúde, etc, essas coisas são menos importantes que um super salário? Almejar as coisas pequenas que realmente trazem felicidade é realmente falta de ambição? Afinal, o que há de errado em querer apenas paz e estabilidade?

Calma, não quero dizer que é impossível aliar sucesso profissional a uma vida com qualidade. Muita gente consegue, de fato. Mas alcançar isso em si é um baita trabalho, que exige muito esforço e dedicação. E, principalmente, a compreensão de que o que normalmente é visto como “falta de ambição” é tão importante quanto os demais sonhos, senão mais.

Então por que não aproveitar o momento presente para refletir um pouco sobre as suas ambições? Será que você não está querendo ir longe demais, sem realmente pesar o preço a se pagar por isso? Provavelmente, sim.

Bônus: Essa tirinha, que é uma adaptação de um discurso do cartunista Bill Watterson, andou circulando na internet nessas últimas semanas, e acho que vale à pena rever.

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