steve-jobsAcho que qualquer um que tenha o mínimo interesse em vencer na vida acaba olhando para as pessoas bem-sucedidas, as analisando. O raciocínio é simples: “se fulano conseguiu chegar onde está e eu quero ser como ele, basta fazer as mesmas coisas que ele”. Aí sai feito um maluco comprando biografia, recitando suas frases, tentando fazer coisas similares (de maneira patética, geralmente), e quando o ídolo/exemplo ainda é vivo, fica enchendo sua paciência enviando e-mails, cartas, twits e mensagens no facebook.

O erro está no raciocínio inicial. Não tem como você ser a outra pessoa. Não há espaço no mundo para outro Steve Jobs ou um Bill Gates, e mesmo que os dois tenham feito sucesso na área tecnológica, ambos são (ou foram) personalidades bem distintas. Ou seja, o caminho que nós percorremos para o sucesso é algo completamente individual. Mas como ele não foi trilhado ainda, sentimos essa necessidade de olhar para o caminho que outros fizeram.

Então não há nada de errado em querer ler uma biografia do Steve Jobs, contanto que você saiba que quem vai vencer na vida é você, fazendo as coisas que você gosta e com as quais tem afinidade. O Steve Jobs só vai servir como inspiração e motivação. A mensagem “ele saiu do fundo do poço e venceu” é muito mais relevante que “como ele saiu do poço”. Afinal, assim como a pessoa de sucesso que podemos nos tornar, o poço em que podemos nos afundar é também único, feito sob medida.

No final, a única pessoa que devemos copiar é uma projeção de nós mesmos que ainda não nos tornamos. É difícil, e requer uma boa dose de honestidade para admitir que a sua auto imagem para dez ou vinte anos não é o Steve Jobs com a sua cara (uso ele de exemplo porque está ainda na moda). E também de coragem pra viver, tentar, errar e não desistir de fazer o que gostamos, para que o EU que enxerguemos daqui a dez ou vinte anos seja o mesmo EU de agora, porém mais realizado por ter vivido, tentado, errado e não desistido.

As primeiras sinfonias de Beethoven têm uma clara influência de Mozart. Mas, no final, Beethoven tornou-se Beethoven e não o novo Mozart, mesmo ensurdecendo no caminho. Então me deem licença que agora vou ler a minha biografia ainda não-escrita e me inspirar.

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